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Índice do dólar sobe com investidores avaliando acordo EUA-Irã, Estreito de Hormuz e política do Fed

Dólar avança com cautela sobre Hormuz e menor expectativa de corte do Fed

Sexta-feira, 19/06/2026

O dólar americano avançou levemente em meio a uma combinação de otimismo cauteloso sobre um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, incerteza sobre a reabertura do Estreito de Hormuz e dados de inflação nos Estados Unidos que reduziram as expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve.

O mercado recebeu com atenção as declarações do presidente Donald Trump, que afirmou que as discussões entre Washington e Teerã chegaram ao fim e que uma decisão final teria sido aprovada pela liderança iraniana, por países vizinhos e por intermediários envolvidos no processo. Segundo Trump, o acordo poderia ser assinado no fim de semana e, após a assinatura, o Estreito de Hormuz seria reaberto.

Ainda assim, a reação dos investidores foi moderada. O Irã não rejeitou totalmente a mensagem de Trump, mas afirmou que nada havia sido finalizado. Essa diferença entre a confiança expressa pela Casa Branca e a postura mais cautelosa de Teerã manteve o mercado cambial em modo de espera.

O Índice Dólar, que mede o desempenho da moeda americana contra uma cesta de importantes divisas globais, era visto próximo de 99,79. Embora o movimento intradiário tenha sido limitado, a sustentação da moeda reflete um ambiente no qual os investidores continuam valorizando segurança, juros elevados e a perspectiva de que o Fed manterá a política monetária restritiva por mais tempo.

Acordo EUA-Irã domina o sentimento cambial

O principal fator geopolítico no mercado de câmbio continua sendo a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que chegou ao seu 105º dia. O conflito tem afetado as expectativas para energia, inflação, comércio marítimo e estabilidade regional.

Trump afirmou que havia interrompido planos de um grande bombardeio contra o Irã, além de uma operação para tomar a ilha de Kharg, importante ponto estratégico para as exportações iranianas de petróleo. Essa decisão foi apresentada como consequência do avanço nas negociações.

Para os investidores, a possibilidade de um acordo reduz parte do risco extremo. Um cessar das hostilidades poderia aliviar o preço do petróleo, reduzir o risco de interrupção no Golfo e melhorar o sentimento global por ativos de risco.

No entanto, o mercado ainda exige confirmação. A ausência de uma ratificação clara por parte do Irã impede uma reação mais forte. Enquanto o acordo não for assinado e os termos não forem conhecidos, traders tendem a manter proteção em dólar, principalmente diante da possibilidade de novos atrasos ou desacordos técnicos.

Hormuz segue como ponto decisivo

O Estreito de Hormuz é o principal elo entre a crise geopolítica e o mercado financeiro global. A passagem é vital para o fluxo de petróleo e gás do Golfo. Qualquer bloqueio ou restrição no estreito pode elevar os custos de energia, pressionar a inflação e alterar expectativas de política monetária.

Trump afirmou que Hormuz seria reaberto após a assinatura do acordo. Isso seria positivo para os mercados, pois reduziria o risco de choque de oferta no petróleo. Para moedas sensíveis ao crescimento global, como o dólar australiano e o dólar canadense, uma desescalada também poderia melhorar o sentimento.

Mas a cautela permanece porque o Irã ainda não confirmou plenamente o cronograma anunciado. Se Teerã aceitar os termos e Hormuz for de fato reaberto, parte do prêmio de risco geopolítico pode sair do mercado. Se a situação continuar indefinida, o dólar pode continuar recebendo suporte como moeda defensiva.

O mercado cambial tende a reagir rapidamente a mudanças em Hormuz porque o canal de transmissão é direto: energia mais cara pode elevar inflação, juros e demanda por ativos seguros.

Inflação americana reduz apostas em corte de juros

Além da geopolítica, os dados de inflação dos Estados Unidos também fortaleceram o dólar. O Departamento do Trabalho informou que os preços ao produtor subiram 6,50% em maio na comparação anual, impulsionados principalmente pelo aumento dos custos de energia.

Na quarta-feira, os dados de preços ao consumidor mostraram que o núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, subiu 0,20% em maio em relação ao mês anterior. Na comparação anual, o núcleo avançou 2,90%.

Esses números reforçaram a percepção de que a inflação ainda não está totalmente controlada. Mesmo que o núcleo de preços ao consumidor pareça menos explosivo do que os preços ao produtor, o conjunto dos dados sugere que o Fed terá pouca pressa para cortar juros.

Segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, os investidores atribuem uma probabilidade de 98,60% de que o Federal Reserve mantenha os juros no nível atual na reunião de 16 e 17 de junho. Essa expectativa ajuda a sustentar o dólar, já que taxas mais altas tendem a tornar ativos denominados em dólar mais atraentes.

Fed continua sendo o centro do câmbio

O comportamento do dólar depende fortemente da trajetória do Fed. Quando o mercado acredita que os juros americanos permanecerão elevados por mais tempo, a moeda tende a encontrar suporte. Isso ocorre porque rendimentos maiores nos Estados Unidos atraem capital internacional e aumentam o custo de apostar contra o dólar.

A inflação ao produtor em 6,50% ao ano dificulta uma mudança rápida de postura. O Fed pode considerar que os riscos inflacionários ainda são relevantes, especialmente se os preços de energia continuarem pressionados pela guerra no Oriente Médio.

O núcleo do CPI em 2,90% ao ano também permanece acima da meta de 2% normalmente associada à estabilidade de preços. Embora o ritmo mensal de 0,20% não indique aceleração extrema, ele não é suficiente para garantir que a inflação retorne rapidamente ao objetivo.

Por isso, a reunião de junho será observada de perto. A decisão de manter juros parece amplamente esperada, mas o tom da comunicação será crucial. Se o Fed sinalizar paciência e preocupação com inflação, o dólar pode continuar firme. Se sugerir abertura para cortes futuros, a moeda pode perder parte do suporte.

Euro e libra se movem em contexto misto

Contra o euro, o dólar era negociado próximo de 1,157, com alta de 0,10%. O movimento reflete não apenas a força moderada da moeda americana, mas também a cautela em relação ao crescimento global e aos riscos geopolíticos.

Contra a libra esterlina, o dólar também avançava cerca de 0,10%, com a cotação em torno de 1,340. O dado de crescimento do Reino Unido mostrou contração de 0,10% do PIB em abril na comparação mensal, em linha com as expectativas, após expansão de 0,30% em março. Na comparação anual, a economia britânica cresceu 1,20%.

Esses números deixam a libra em posição delicada. A contração mensal sugere perda de ritmo, enquanto o crescimento anual ainda mostra alguma resiliência. Para o mercado cambial, isso pode limitar a força da libra frente ao dólar, principalmente se os juros americanos continuarem elevados.

A libra também tende a sofrer quando investidores buscam segurança no dólar em momentos de tensão geopolítica. Mesmo que o Reino Unido não esteja no centro do conflito, a moeda britânica pode ser afetada pelo apetite global por risco.

Iene segue pressionado

O iene japonês continuava enfraquecido frente ao dólar, com a cotação próxima de 160,229. A moeda japonesa recuava cerca de 0,23% contra a divisa americana.

Além da força do dólar, dados econômicos do Japão também pesaram sobre o iene. O Ministério da Economia, Comércio e Indústria informou que o índice de utilização da capacidade industrial caiu 0,80% em abril na comparação mensal, após queda de 1,20% no mês anterior.

A fraqueza desse indicador sugere menor atividade nas instalações industriais japonesas. Isso pode reforçar expectativas de que o Banco do Japão será cauteloso na normalização da política monetária.

A diferença entre os juros americanos e japoneses continua sendo um fator importante. Enquanto o Fed mantém juros elevados, o Japão segue com uma política monetária mais gradual. Essa divergência torna o iene vulnerável, especialmente quando o mercado favorece moedas com rendimento maior.

Franco suíço, dólar canadense e dólar australiano

Contra o franco suíço, o dólar era negociado próximo de 0,797, com alta de 0,27%. Tradicionalmente, o franco também é considerado uma moeda defensiva, mas a força relativa do dólar e as expectativas de juros nos EUA continuam pesando na comparação.

Contra o dólar canadense, o dólar americano era negociado em torno de 1,399, com alta de 0,16%. O Canadá é sensível ao mercado de energia, e qualquer mudança no petróleo pode afetar o dólar canadense. Se a reabertura de Hormuz aliviar os preços do petróleo, a moeda canadense pode perder parte do suporte ligado às commodities.

Contra o dólar australiano, o dólar americano era negociado próximo de 0,704, com alta de 0,04%. O dólar australiano costuma reagir ao apetite global por risco, crescimento chinês e preços de commodities. A cautela sobre o acordo EUA-Irã e a firmeza dos juros americanos limitam o avanço da moeda australiana.

Esses movimentos mostram que o dólar está sendo sustentado por uma combinação de fatores, e não apenas por um único evento.

SpaceX adiciona interesse ao mercado americano

O mercado americano também acompanha a estreia da SpaceX em bolsa após sua maior oferta pública inicial. A operação foi descrita como um sucesso expressivo, com a empresa avaliada em cerca de US$ 2,2 trilhões, tornando-se a sexta companhia mais valiosa de Wall Street.

Embora esse evento esteja mais ligado ao mercado de ações do que ao câmbio, ele reforça o interesse global por ativos americanos. Grandes listagens podem atrair fluxos de capital para os Estados Unidos, especialmente quando envolvem empresas de tecnologia e infraestrutura espacial com forte apelo de crescimento.

Esse tipo de fluxo pode oferecer suporte indireto ao dólar, embora o impacto cambial direto dependa de vários fatores, incluindo alocação internacional, hedge cambial e comportamento dos investidores institucionais.

Ainda assim, a estreia da SpaceX ocorre em um momento no qual os Estados Unidos continuam no centro das atenções globais, seja pela política monetária, pela geopolítica ou pelo mercado de capitais.

O que traders devem acompanhar

O primeiro ponto para o mercado de câmbio é a confirmação do acordo EUA-Irã. Se o texto for assinado e o Irã validar os termos, o dólar pode perder parte do suporte defensivo. Se houver atraso ou rejeição, a moeda pode se fortalecer novamente.

O segundo fator é a reabertura real do Estreito de Hormuz. O mercado precisa ver não apenas declarações, mas sinais concretos de normalização do tráfego marítimo e redução do risco militar.

O terceiro elemento é a comunicação do Fed. Com uma probabilidade de 98,60% de manutenção dos juros, o foco não estará apenas na decisão, mas nas projeções e no tom da autoridade monetária.

O quarto ponto é a inflação. Se novos dados confirmarem pressão persistente, o dólar pode continuar sustentado. Se a inflação mostrar desaceleração mais clara, as apostas em cortes podem voltar a crescer.

Por fim, os traders devem acompanhar moedas sensíveis a commodities, como o dólar canadense e o dólar australiano, pois elas podem reagir de forma diferente dependendo do petróleo, do apetite por risco e da evolução da crise no Oriente Médio.

Conclusão

O dólar americano avançou levemente enquanto investidores avaliavam com cautela as declarações de Donald Trump sobre um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Hormuz. A ausência de confirmação final por parte de Teerã limitou o otimismo e manteve o mercado defensivo.

Ao mesmo tempo, dados de inflação nos Estados Unidos reduziram as expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve. Com os preços ao produtor subindo 6,50% ao ano e o núcleo do CPI em 2,90%, o mercado atribui alta probabilidade de manutenção dos juros na próxima reunião.

Ponto final

O dólar segue apoiado por dois pilares: incerteza geopolítica e juros americanos elevados. Um acordo confirmado com o Irã e a reabertura efetiva de Hormuz poderiam reduzir a demanda defensiva pela moeda. Mas, enquanto a inflação continuar persistente e o Fed mantiver postura cautelosa, o dólar deve permanecer resiliente no mercado cambial.